Nas sábias palavras de Akiko Santos (Doutora em Educação), o termo “transdiciplinaridade” “é novo, mas a atitude transdisciplinar acompanha o homem desde a sua origem. A transdisciplinaridade é uma nova abordagem científica e cultural, uma nova forma de ver e entender a natureza, a vida e a humanidade. Ela busca a unidade do conhecimento para encontrar um sentido para a existência do Universo, da vida e da espécie humana. Se a Ciência Moderna significou uma mudança radical no MODO DE PENSAR dos homens medievais, a transdisciplinaridade, hoje, sugere a superação da mentalidade fragmentária incentivando conexões e criando uma visão contextualizada do conhecimento, da vida e do mundo”.
A educadora nos esclarece que “o atual modo de raciocinar, sentir e organizar é direcionado pelo meio no qual nos desenvolvemos e nos transformamos em seres humanos. A sociedade nos configura com a predominância atual do cartesianismo".
* Disponível em:<http://www.ufrrj.br/leptrans/arquivos/O_QUE_e_TRANSDISCIPLINARIDADE.pdf >Segue Akiko Santos: “O cartesianismo (Descartes 1596-1650) passou a organizar todo o sistema social e educacional e conformou o MODO DE PENSAR dos homens nos últimos 400 anos. As estruturas e normas universitárias por longos anos têm se apoiado nos princípios cartesianos (fragmentação, descontextualização, simplificação, redução, objetivismo e dualismo)”.
Que conseqüências traz o “cartesianismo” na área educacional?
Santos define: “A identidade do homem é construída a partir das profissões estabelecidas na modernidade. A identidade dos jovens é formatada nas parcelas do conhecimento com uma cultura, linguagem e leituras pertinentes a tais parcelas e não estimula abertura e diálogos entre as diversas profissões”.
* Disponível em:<http://www.ufrrj.br/leptrans/arquivos/O_QUE_e_TRANSDISCIPLINARIDADE.pdf >Como assim?
“Nas universidades se organizam, anualmente, as “semanas” do biólogo, do agrônomo, etc., mas não existe a “semana” do diálogo entre os diversos profissionais, a “semana” do homem. Incentiva-se a identidade parcelada, segundo o molde cartesiano. Assim, se diz “eu sou biólogo”, ou físico, agrônomo, veterinário, zootecnista, sociólogo, filósofo, economista, etc. Ser professor é uma identidade menosprezada, mas ser biólogo é uma identidade valorizada”.
“A disciplinaridade se sobrepõe a transdisciplinaridade, a visão articulada do conhecimento. Na vida, somos todos “transdisciplinares”, mas quando colocamos os pés nas salas de aula, somos disciplinares"
"Apesar de o currículo dos cursos contemplarem um leque de disciplinas de outras áreas (multidisciplinaridade), muitas vezes como disciplinas optativas, a estrutura disciplinar impede que os respectivos docentes se articulem e articulem seus conhecimentos. Alguns até dizem “esta disciplina é minha e não admito interferências de outros especialistas”. E os alunos, reféns dessa estrutura/atitude, saem com as cabeças “bem cheias” (MORIN, 2000) de uma variedade de informações, justapostas, sem saber articulá-las com vistas a terem cabeças bem feitas".
“A ciência especializada não explica a vida. Esta só adquire sentido ao ser contextualizada através de todos os saberes acumulados, reconhecendo o direito de cada ser humano, qualquer que seja sua verdade, religião, sexo, cultura e raça de existir e habitar este planeta, convivendo e contribuindo, respeitando e sendo respeitado pelas diferenças individuais e grupais. Esta mudança de atitude, no nível local das comunidades universitárias, começa com o sentimento de TOLERÂNCIA e ABERTURA ao lidar com as diferenças humanas. São palavras de Paulo Freire: amar o igual é amar a si próprio, o desafio está em amar o diferente.
A transdisciplinaridade é a busca do sentido da vida através de relações entre os diversos saberes (ciências exatas, humanas e artes) numa democracia cognitiva. Nenhum saber é mais importante que outro. Todos são igualmente importantes”.
Textos sugeridos para leitura (links):
1) Artigo da Doutora em educação Akiko Santos sobre o conceito de transdiciplinaridade:
2) Artigo da revista TXT sobre transdiciplinaridade e informatica na educação:
3) Artigo no Portal do professor do MEC sobre projetos de informatica e educação e transdiciplinaridade:
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000015493.pdfstorage/materiais/0000015493.pdf

kkkk. Adorei a charge da profissão! Quando falei para minha mãe sobre dar aula em escola pública a reação foi bem parecida!!!RSRS
ResponderExcluirOlá, Carolina! Que bom que nosso trabalho foi significativo para você! É justamente esse nosso intuito: despertar sensações que despertem esse prazer - ou até estranhamento - em lidar com a contextualidade de nossos conhecimentos! Os modos de pensar fragmentários levam a declarar que ser pedagogo é menor que ser médico. Não: temos valor! Somos complexos e completos que aguardam se completar... Enquanto esse processo de resgate se inicia, as charges nos divertem...
ResponderExcluirA transdisciplinaridade é um assunto muito atual,na educação o conhecimento é sempre muito fragmentado,simplificado e descontextualizado, isso muitas vezes não permite uma reflexão crítica sobre o assunto pois ele só é abordado superficialmente. É muito importante que nos educadores tenhamos em mente essa vontade de relacionar os assuntos, de criar conexões entre as ideias e os conceitos pois somente com essa prática poderemos romper com a lógica do molde cartesiano,onde predomina a identidade parcelada.
ResponderExcluirOlá, Fernanda! Que bom que o tema já esteja internalizado e em seu cotidiano! Sua observação foi bem pertinente, pois os educadores deveriam assumir o papel de líderes da "transdiciplinaridade". Esse exercício de transpor a superfície conceitual exige um novo paradigma de Professor - e muitos temem isso. Se a ciência não é una, o que dirá nosso cérebro diante de tanta elasticidade e potência? Vamos mergulhar no caldo multifacetado dos conhecimentos!
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