sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Como as disciplinas podem ser enriquecidas...


O conceito de "transdisciplinaridade" foi consolidado após os comentários realizados pelos nossos visitantes - no "blog" e no "sites/espaço de seminário". Agradecemos a colaboração.

Cabe agora abordarmos a segunda parte de nosso "tema": como a informática e a transdisciplinaridade podem enriquecer o discurso disciplinar.

Ficou muito mais fácil agora ilustrarmos essas conexões, uma vez que todos os "blogs" listados em nossa lista desenvolveram bem a articulação proposta. Podemos tomar como exemplos, a utilização da informática para trabalharmos a produção literária, as histórias em quadrinhos, as rádios, os jornais, os "blogs", etc.



Nos termos do cartesianismo - com a clássica divisão curricular em disciplinas -, os alunos têm contato com a área de humanas, a área de exatas e a área de ciências de forma estanque. Ora, podemos imaginar o tamanho da influência da informática em um grupo escolar no qual um texto literário passasse a ser objeto de experiências (recitado por vozes computadorizadas que os próprios alunos pudessem escolher ou até mesmo pela alteração do tamanho e cores da fonte escrita). 




Esse mesmo grupo poderia produzir suas próprias leituras e recriar   obras clássicas, produzindo sua arte com um instrumental tecnológico interativo. Por exemplo: fazer um poema inspirado em uma receita de bolo de laranja - reproduzindo-o na tela do computador -, e publicá-lo na "internet" cheio de imagens ilustrativas (quem estuda/estudou "Gêneros textuais" pode imaginar...).



Sabemos que as áreas de ciências e exatas são o grande gargalo do conhecimento - em particular, na "educação básica". Muitos são aqueles que "suam a camisa" e "têm pesadelos" ao lidarem com física, química e matemática. 



Uma excelente proposta para desmistificarmos esse triunvirato como "seres do mal" está no "blog" criado por nossos colegas no endereço "http://seminarioobjetosdeaprendizagem.blogspot.com/". Foram indicados endereços eletrônicos e nós destacamos o localizado em "http://www.labvirt.fe.usp.br/":






As simulações são muito bem pensadas, fazendo com que os alunos se divirtam com as disciplinas "física" e "química"! É claro que estarão, ao mesmo tempo, aprendendo... Indico a simulação "Estação Espacial"¹ pois ensina em que local (a que distância) deve ficar a estação espacial! Sabe o motivo?
¹em "lista completa" ou http://www.labvirt.fe.usp.br/simulacoes/fisica/sim_forcas_estacaoespacial.htm



E é este novo significado (de entretenimento), aliado às indissociáveis conexões, que permitirá a apropriação dos conteúdos de forma muito mais abrangente pelos alunos em fase escolar. Aliás, em qualquer âmbito - escolar ou extraescolar - a transdisciplinaridade e as tecnologias de comunicação enriquecem toda forma de conhecimento humano.

Começando pelo principal...

Bem vindos ao nosso cantinho educacional!

Nossa tarefa aqui é a de relatarmos alguns aspectos bem interessantes a respeito de "transdiciplinaridade". E aqui o "nós" é relativo às futuras pedagogas Andréa Maria Silva, Monica Palhares e Roselaine Goulart.

Nesse espaço, você vai encontrar conteúdo diversificado - videos, textos e nossa enquete abordando o tema.

Bem, antes de tomarmos fôlego para avançarmos em nosso tema, vamos deixar claro o que seria o uso da informática na educação e o que isso teria a ver com toda essa celeuma.

A informática na educação é uma ferramenta que produz grandes resultados quando faz parceria com outros aspectos educacionais. Entretanto, quando seu uso se resume apenas à inauguração de "salas de informática" para justificar uma suposta "inclusão digital" - sem dialogar com as demais disciplinas -, esbarrará no tema de ausência da transdiciplinaridade.

Conceito e consequências da transdiciplinaridade

Nas sábias palavras de  Akiko Santos (Doutora em Educação), o termo “transdiciplinaridade” “é novo, mas a atitude transdisciplinar  acompanha o homem desde a sua origem. A transdisciplinaridade é uma nova abordagem científica e cultural, uma nova forma de ver e entender a natureza, a vida e a humanidade. Ela busca a unidade do conhecimento para encontrar um sentido para a existência do Universo, da vida e da espécie humana. Se a Ciência Moderna significou uma mudança radical no MODO DE PENSAR dos homens medievais, a transdisciplinaridade, hoje, sugere a superação da mentalidade fragmentária incentivando conexões e criando uma visão contextualizada do conhecimento, da vida e do mundo”.


A educadora nos esclarece que “o atual modo de raciocinar, sentir e organizar é direcionado pelo meio no qual nos desenvolvemos e nos transformamos em seres humanos. A sociedade nos configura com a predominância atual do cartesianismo".
* Disponível em:<http://www.ufrrj.br/leptrans/arquivos/O_QUE_e_TRANSDISCIPLINARIDADE.pdf >

Algum de vocês se recorda o que foi o “cartesianismo”?



Segue Akiko Santos: “O cartesianismo (Descartes 1596-1650) passou a organizar todo o sistema social e educacional e conformou o MODO DE PENSAR dos homens nos últimos 400 anos. As estruturas e normas universitárias por longos anos têm se apoiado nos princípios cartesianos (fragmentação, descontextualização, simplificação, redução, objetivismo e dualismo)”.



Que conseqüências traz o “cartesianismo” na área educacional?

 
Santos define: “A identidade do homem é construída a partir das profissões estabelecidas na modernidade. A identidade dos jovens é formatada nas parcelas do conhecimento com uma cultura, linguagem e leituras pertinentes a tais parcelas e não estimula abertura e diálogos entre as diversas profissões”.
* Disponível em:<http://www.ufrrj.br/leptrans/arquivos/O_QUE_e_TRANSDISCIPLINARIDADE.pdf >



Como assim?

“Nas universidades se organizam, anualmente, as “semanas” do biólogo, do agrônomo, etc., mas não existe a “semana” do diálogo entre os diversos profissionais, a “semana” do homem. Incentiva-se a identidade parcelada, segundo o molde cartesiano. Assim, se diz “eu sou biólogo”, ou físico, agrônomo, veterinário, zootecnista, sociólogo, filósofo, economista, etc. Ser professor é uma identidade menosprezada, mas ser biólogo é uma identidade valorizada”.



Ah...cada um olha para seu próprio umbigo... mas, e daí?

 


“A disciplinaridade se sobrepõe a transdisciplinaridade, a visão articulada do conhecimento. Na vida, somos todos “transdisciplinares”, mas quando colocamos os pés nas salas de aula, somos disciplinares"



"Apesar de o currículo dos cursos contemplarem um leque de disciplinas de outras áreas (multidisciplinaridade), muitas vezes como disciplinas optativas, a estrutura disciplinar impede que os respectivos docentes se articulem e articulem seus conhecimentos. Alguns até dizem “esta disciplina é minha e não admito interferências de outros especialistas”. E os alunos, reféns dessa estrutura/atitude, saem com as cabeças “bem cheias” (MORIN, 2000) de uma variedade de informações, justapostas, sem saber articulá-las com vistas a terem cabeças bem feitas".


“A ciência especializada não explica a vida. Esta só adquire sentido ao ser contextualizada através de todos os saberes acumulados, reconhecendo o direito de cada ser humano, qualquer que seja sua verdade, religião, sexo, cultura e raça de existir e habitar este planeta, convivendo e contribuindo, respeitando e sendo respeitado pelas diferenças individuais e grupais. Esta mudança de atitude, no nível local das comunidades universitárias, começa com o sentimento de TOLERÂNCIA e ABERTURA ao lidar com as diferenças humanas. São palavras de Paulo Freire: amar o igual é amar a si próprio, o desafio está em amar o diferente. 
A transdisciplinaridade é a busca do sentido da vida através de relações entre os diversos saberes (ciências exatas, humanas e artes) numa democracia cognitiva. Nenhum saber é mais importante que outro. Todos são igualmente importantes”.



                           Textos sugeridos para leitura (links):

                           1) Artigo da Doutora em educação Akiko Santos sobre o conceito de transdiciplinaridade:


2) Artigo da revista TXT sobre transdiciplinaridade e informatica na educação: 


                            3) Artigo no Portal do professor do MEC  sobre projetos de informatica e educação e transdiciplinaridade:
 
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000015493.pdfstorage/materiais/0000015493.pdf
                           



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